Existem fragmentos da nossa história negligenciados pelos livros que até soam contestáveis quando a única fonte de acesso é a memória popular. Poucos momentos da História são tão enraizados na memória da humanidade quanto à construção dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1930-1945). Um cenário de terror no qual milhões de judeus perderam a vida com requintes de crueldade, flagelo e exposição às mais extremas formas de humilhação.
O que não está dito nos livros, porém, é que um pedaço do Brasil tem muito em comum com a Alemanha de Hitler, embora que em menor proporção.
Se na Europa de Hitler o objetivo era desafiar a ciência na tentativa de provar a existência de uma raça pura, para o Governo cearense a batalha era evitar que as vítimas da seca manchassem a imagem da capital, Fortaleza.
Tudo começou bem antes da seca de 1932, com a chegada dos engenheiros ingleses para construção de uma grande barragem - uma grande obra, para amenizar a seca daquele pedaço de nordeste. O problema, no entanto, é que a obra não fora concluída e os ingleses regressaram a sua terra natal, deixando para trás casarões vazios e um canteiro de obras ameaçado a se transformar em mais um elefante branco do Governo. Por não ter o que plantar, as famílias ruralistas do Ceará voltaram a ser vencidas pelo desespero de não ter o que comer: tangidos pela fome e pela sede, a única esperança de sobrevivência para o homem do campo era tentar a vida na cidade grande, migrando em bandos pelas ferrovias que cortavam o Estado.
No entanto, a estratégia para aglomerar 'os famintos' foi IMPIEDOSA, se valendo de todos os recursos e elementos necessários para atraí-los. O Governo organizou amontoados de miseráveis em uma região conhecida como Açude Patu, o Governo dizia que eles encontrariam comida, médico e moradia. O espaço transformou-se em um verdadeiro vale de suplício, sangue e sofrimento.
PROPOSIÇÃO DO BLOG
Ótima matéria de Hugo Lima. Quem se curva a dor do Holocausto dos judeus precisa conhecer o Holocausto cearense, acostumado com a dor, a seca e o descaso. Recomendo ler a matéria na íntegra na revista Contexto, de Mossoró.
Nenhum comentário:
Postar um comentário