
Neste domingo (18 de setembro), assistimos a matéria do
Fantástico sobre
erros de
enfermagem. O programa relatou sobre os constantes erros que os técnicos de enfermagem e os enfermeiros estão comentendo. A reportagem mostrou/investigou escolas de técnicos de enfermagem, faculdades e hospitais, constatando que há
erro na formação dos profissionais, porém não atribuiu outros fatores.
Isso me causou uma profunda inquietação. Vamos refletir um pouco sobre a saúde ...
O enfermeiro é um profissional
imprescindível em toda instituição de saúde. Uma Unidade Básica de Saúde funciona sem médico, sem odontólogo mas
não funciona
sem enfermeiro. Por sua vez no hospital o enfermeiro é responsável pela coordenação da equipe de enfermagem e pela execução de atividades privativas do enfermeiro, cuja a ação exige um conhecimento mais específico. O ideal é que exista um enfermeiro para cada setor de saúde do hospital e um técnico de enfermagem para 5 leitos (no máximo), mas isso não faz parte da nossa realidade.
Sabemos que, as atividades de enfermagem há muito tempo vem sendo
inadequadas devido, também as
especificidades do ambiente e as
condições insalubres dos hospitais, uma deficiência do serviço público (SUS).
O
desgaste físico e emocional, a
baixa remuneração e
o desprestígio social
são fatores associados às condições de trabalho do enfermeiro, que vem
refletindo negativamente na
qualidade da assistência prestada ao cliente,
levando ao abandono da profissão e conseqüentemente desestímulo a profissão
( tudo a ver com o texto anterior que escrevi sobre motivação profissional).
Segundo a reportagem do Fantástico, em 10 anos aumentaram
5 vezes o número de faculdades e escolas técnicas de enfermagem. O problema maior é a péssima qualidade desse ensino. Se um técnico não é bom a culpa é do enfermeiro, se o técnico erra a responsabilidade toda é do enfermeiro. Portanto parte a necessidade maior de
fiscalização da nossa categoria (me enquadro porque sou enfermeira), não só de fiscalizar-mos os outros como também as nossas práticas. Daí também surge a porcentagem de culpa do
COREN. Onde estão as ações do COREN?
Os investimentos? A fiscalização?

Passamos agora dos erros da enfermagem para os
erros médicos. Outro dia o
Globo Repórter mostrou uma matéria afirmando que os médico
s matam mais que as doenças. Isso é verdade. É muito grande o número de médicos que não tem compromisso com a saúde da população,
principalmente nas cidades
do interior, causando erros por
negligência, imperícia e imprudência. O objetivo aqui não é, em
absoluto,
denegrir a classe médica, mas mostrar as
falhas de um sistema, o maior sistema de saúde do mundo
SUS.
“Que os médicos se confortem: o
exercício de sua arte não está em perigo; a glória e a reputação de quem a
exerce com tantas vantagens para a Humanidade não estarão comprometidas pela
culpa de um homem que falhasse sob o título de Doutor.” (Procurador Geral André
Marie Jean-Jacques Dupin)
Concluindo, devemos defender nossa classe de
enfermagem mas antes
assumir nossas
deficiências e encorajarmos à
formação continuada para
enfermeiros cada vez
mais competentes e exigir mais
reconhecimento dos
nossos gestores.
Gil. vaneide Holanda,
Enfermeira Especialista em Enfermagem do Trabalho